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Inflação de maio em Campo Grande é a menor em dez anos

Autor: Cidiana Pellegrin - 08/06/2017

Grupos Alimentação e Transportes ajudaram a frear o índice, segundo o Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômicas e Sociais da Uniderp

 

Em maio, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor de Campo Grande (IPC/CG) ficou em 0,10%, o menor indicador de 2017 até o momento, segundo o Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômicas e Sociais (Nepes) da Uniderp.  No mês passado, a taxa fechou com 0,31% e, no comparativo da série histórica dos meses de maio, é a menor desde 2007, quando atingiu 0,05%.

 

De acordo com o coordenador do Nepes, Celso Correia de Souza, os principais responsáveis por frearem o crescimento do índice foram os grupos Alimentação e Transportes, que encerram o mês com deflação e, consequentemente, contribuições negativas. Os grupos Vestuário e Saúde foram os principais a elevar o indicador. “Espera-se que, nos próximos meses, a inflação continue em patamares bem baixos, propiciando decréscimo dos juros e a retomada do crescimento econômico pelo país”, explica o pesquisador.

 

Acumulado

A inflação acumulada nos últimos 12 meses, na capital de Mato Grosso do Sul, é de 3,78%, índice abaixo do centro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 4,5%. No período, o maior índice em relação aos grupos é do Vestuário, com alta de 14,70%.  Segundo o especialista, “está havendo uma recomposição de preços em relação ao ano passado”.

 

No acumulado de 2017, ou seja, em cinco meses, a inflação registrada foi de 1,44%, taxa ainda baixa quando comparada com anos anteriores.  As maiores inflações no período foram com Vestuário, 7,71%, e Educação, 1,49%..

 

Maiores e menores contribuições           
Os 10 “vilões” da inflação, em maio, foram:

  • Tênis, com inflação de 8,39% e contribuição de 0,08%;
  • Blusa, com inflação de 7,38% e contribuição de 0,07%;
  • Camisa masculina, inflação de 8,31% e participação de 0,05%;
  • Manicure e pedicure, com variação de 9,54% e colaboração de 0,04%;
  • Pescado fresco, com acréscimo de 6,23% e contribuição de 0,04%;
  • Cebola, com aumento de 32,75% e participação de 0,03%;
  • Acém, com variação de 3,45% e colaboração de 0,03%;
  • Costela, com acréscimo de 3,96% e contribuição de 0,02%;
  • Desinfetante, com reajuste de 8,74% e participação de 0,02%;
  • Frango congelado, com elevação de 2,13% e colaboração de 0,02%.

 

Já os 10 itens que auxiliaram a reter a inflação, com contribuições negativas, foram:

  • Alcatra, com deflação de -3,83% e contribuição de -0,08;
  • Arroz, com redução de -3,81% e colaboração de -0,05%;
  • Diesel, com diminuição de -1,44% e participação de -0,04%;
  • Etanol, com decréscimo de -1,81% e contribuição de -0,04%;
  • Tomate, com baixa de -15,68% e colaboração de -0,03%;
  • Gasolina, com diminuição de -0,99% e participação de -0,03%;
  • Laranja pera, com redução de -12,45% e contribuição de -0,03%;
  • Óleo de soja, com decréscimo de -5,44% e colaboração de -0,02%;
  • Sapato masculino, com queda -4,90% e participação de -0,02%;
  • Maçã com baixa -12,51% e contribuição de -0,02%.

 

Segmentos

Ainda em maio, o grupo Habitação apresentou inflação de 0,05%, motivado por aumentos de preços de vários eletrodomésticos. Os principais produtos com elevação de valor foram: carvão (7,34%), máquina de lavar roupa (6,64%) e freezer (6,07%). Quedas de preços ocorreram com: saponáceo (-5,44%), DVD (-4,14%), amaciante de roupas (-3,27%), entre outros.  

 

Diferente dos meses anteriores, o grupo Alimentação apresentou queda e fechou maio com índice -0,78%. As maiores altas de preços ocorreram com: cebola (32,75%), manga (13,67%) e mortadela (12,49%). Já as principais quedas foram registradas com: melancia (-28,98%), mamão (-25,41%), milho verde (-22,57%), entre outros.

 

O coordenador do Nepes esclarece que este grupo é o melhor termômetro para o comportamento da inflação ao longo do ano, pois tem a segunda ponderação na formação do índice inflacionário. “Com a melhora do clima no país, vários dos produtos de alimentação têm diminuído de preços, principalmente, os hortifrútis. Se a tendência continuar, certamente a inflação ficará em torno, ou mesmo, abaixo da meta do CMN para o ano de 2017, de 4,5%”, expõe Celso Correia.

 

Apesar da deflação no grupo, apenas cinco cortes de carne bovina, entre os 15 pesquisados pelo Nepes da Uniderp, apresentaram quedas de preços. São eles: alcatra (-3,83%), cupim (-3,64%), picanha (-0,37%), vísceras de boi (-0,21%) e músculo (-0,19%). Já os que tiveram aumento de valor foram: lagarto (8,63%), fígado (8,18%), coxão mole (7,16%), ponta de peito (4,48%), costela (3,96%), acém (3,45%), contra filé (2,37%), paleta (2,20%), filé mignon (0,22%) e patinho (0,22%).

 

“Apesar do baixo consumo, o valor da carne vermelha tem oscilado muito, um problema que pode ser atribuído à falta de bois gordos para preencherem as pautas dos frigoríficos e/ou a retomada das exportações, interrompidas parcialmente pela operação Carne Fraca,” exemplifica o professor.

 

Quanto aos cortes de carne suína, aumentaram de preços o pernil (1,64%) e a bisteca (1,23%). Queda de valor foi identificada com a costeleta (-2,96%). O frango congelado subiu 2,13% e miúdos de frango reduziram -0,56%.

 

Além da alimentação, o grupo Transporte apresentou queda de -1,09%. As maiores reduções ocorreram com etanol (-1,81%), diesel (-1,44%), gasolina (-0,99%) e automóvel novo (-0,17%). Já o grupo Educação teve uma pequena alta, 0,02%, devido a pequenos aumentos nos preços de produtos de papelaria.

 

O grupo Despesas Pessoais fechou com elevação de 0,42%. Os principais aumentos aconteceram com o serviço de manicure e pedicure (9,54%), protetor solar (4,97%) e papel higiênico (2,91%). Já, as quedas de valor foram identificadas com sabonete (-2,43%), xampu (-2,02%) e fio dental (-1,17%).

O grupo Saúde também registrou aumento de 1,12%, devido aos reajustes autorizados pelo Governo Federal em abril, com reflexo em maio.  Os produtos que apresentaram os maiores aumentos de preços foram: material para curativo (4,61%), psicotrópico e anorexígeno (4,77%), antimicótico e parasiticida (4,37%).

 

Completando o estudo, o Vestuário encerrou o mês com índice de 1,96%. As maiores altas ocorreram com: tênis (8,39%), camisa masculina (8,31%) e blusa (7,38%).  Já o sapato masculino (-4,90%), sandália/chinelo feminino (-3,74%), camiseta feminina (-3,07%) foram os principais com as menores quedas.

 

IPC/CG

O Índice de Preços ao Consumidor de Campo Grande (IPC/CG) é um indicador da evolução do custo de vida das famílias dentro do padrão de vida e do comportamento racional de consumo. O IPC busca medir o nível de variação dos preços mensais do consumo de bens e serviços, a partir da comparação da situação de consumo do mês atual em relação ao mês anterior, de famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos. A Uniderp divulga mensalmente o IPC/CG via Nepes.

 


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