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Inflação na Capital fecha em 0,20% em novembro

Autor: Cidiana Pellegrin - 08/12/2016

Grupo Habitação foi o principal responsável pelo índice, segundo o Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômicas e Sociais da Uniderp

 

Em novembro, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor de Campo Grande (IPC/CG) fechou em 0,20%, 0,13% menor em relação ao mês de outubro, quando ficou em 0,33%. No comparativo entre a série histórica dos meses de novembro, é a menor taxa desde 2000, em que houve deflação -1,02%. O indicador também é 0,94% inferior ao registrado em novembro do ano passado, quando chegou a 1,14%, segundo o Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômicas e Sociais (Nepes) da Uniderp, o que favoreceu a queda da inflação acumulada nos 12 meses.

 

De acordo com o coordenador do Núcleo, Celso Correia de Souza, os principais responsáveis pela inflação de novembro foram os grupos: Habitação, com elevação de 0,47% e contribuição de 0,15% para o índice geral; Vestuário, com inflação de 1,51% e colaboração de 0,13%; e Despesas Pessoais, com alta de 0,20% e contribuição de 0,02% para a inflação. “Tivemos a volta da bandeira amarela para a energia elétrica, o que impactou o grupo de Habitação, compensado pelos grupos Alimentação, Transportes, Educação e Saúde, que tiveram deflações em novembro”, explica o Celso.

 

Apesar da instabilidade da inflação em Campo Grande - que sobe em um mês e cai em outro - o pesquisador explica que a perspectiva para dezembro é boa, mesmo com o aumento dos combustíveis anunciado pela Petrobras.  “Se o índice de dezembro ficar no mesmo patamar do de novembro, é possível que a inflação de 2016 se aproxime muito do teto da meta de 6,5%, já que em dezembro de 2015 a inflação foi muito alta: 0,84%. Apesar do reajuste dos combustíveis, das festas de final de ano em que há aumento do consumo, tradicional nesse período, espera-se que a inflação seja baixa, devido à crise financeira que o país vive no momento”, explica Celso.

 

Acumulado

Houve redução da inflação acumulada nos últimos doze meses. De 8,30% (até outubro) a taxa caiu para 7,30%, mas ainda está acima do teto de 6,5% e do centro de 4,5% das metas estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).  Nos últimos 12 meses os maiores índices acumulados por grupo foram: Educação (10,15%), Alimentação (9,62%), Despesas Pessoais (8,29%) e Saúde (7,56%).

 

No acumulado de 2016, a inflação já atinge 6,40%, chegando muito próxima do teto da meta de 6,5% e ultrapassando, e muito, o centro da meta do Conselho Monetário Nacional, que é de 4,5%. Registraram os maiores índices nesse período: Educação (9,94%), Alimentação (7,56%), Despesas Pessoais (8,18%) e Saúde (7,11%).

 

Maiores e menores contribuições    
 

Os dez “vilões” da inflação, em novembro, foram:

  • Energia elétrica, com inflação de 3% e contribuição de 0,15%;
  • Automóvel novo, com inflação de 2,20% e contribuição de 0,05%;
  • Costela, inflação de 6,97% e participação de 0,04%;
  • Acém, com variação de 3,42% e colaboração de 0,03%;
  • Paleta, com acréscimo de 9,79% e contribuição de 0,03%;
  • Aluguel apartamento, com aumento de 0,53% e participação de 0,02%;
  • Aluguel casa, com variação de 0,53% e colaboração de 0,02%;
  • Sabonete, com acréscimo de 4,21% e contribuição de 0,02%;
  • Alface, com reajuste de 9,48% e participação de 0,02%;
  • Frango congelado, com elevação de 1,95% e colaboração de 0,01%.

 

Já os 10 itens que auxiliaram a reter a inflação no período, com contribuições negativas, foram:

  • Tomate, com deflação de -33,37% e contribuição de -0,08%,
  • Batata, com redução de -16,78% e colaboração de -0,06%;
  • Feijão, com diminuição de -11,25% e participação de -0,05%;
  • Repolho, com decréscimo de -41,51% e contribuição de -0,04%;
  • Cenoura, com baixa de -31,73% e colaboração de -0,03%;
  • Maçã, com diminuição de -15,84% e participação de -0,03%;
  • Alho, com redução de -25,85% e contribuição de -0,03%;
  • Sapato feminino, com decréscimo de -3,78% e colaboração de -0,02%;
  • Short e bermuda masculina, com queda -3,20% e participação de -0,02%;
  • Patinho com baixa -4,29% e contribuição de -0,02%.

 

Segmentos

Em novembro, o grupo Habitação teve alta de 0,47%, em relação ao mês anterior, motivada principalmente pelo aumento do preço de energia elétrica devido a bandeira amarela ter entrado em vigor, o que prevê uma cobrança extra de R$1,50 para cada 100kWh consumido no mês. Além da energia elétrica tiveram grandes aumentos de preços os produtos: saponáceo (6,27%), limpa vidros (5,35%), lâmpada (4,06%), entre outros com menores. Quedas de preços ocorreram com carvão (-7,10%), máquina de lavar roupa (-6,24%), fogão (-5,78%), entre outros. 

 

Quase sempre responsável pelo aumento da inflação mensal, desta vez o grupo Alimentação fechou com redução  de -0,14%.  As maiores elevações de preços ocorreram com: goiaba (62,58%), abóbora (15,82%), picanha (10,99%), entre outros. Fortes quedas de preços ocorreram com: repolho (-41,51%), tomate (-33,37%), cenoura (-31,73%), entre outros com menores quedas.

 

De acordo com o professor Celso, a expectativa era que, com a melhora do clima favorecendo a produção de cereais, hortifrutícolas e leite, o grupo pudesse contribuir para a queda da inflação na cidade, o que realmente aconteceu. “O grupo Alimentação sofre muita influência de fatores climáticos e da sazonalidade, principalmente, em relação a verduras, frutas e legumes. Alguns desses produtos aumentam de preços ao término das safras, outros diminuem quando entram na época de colheita” explica.

 

Dos 15 cortes de carnes bovina pesquisados pelo Nepes da Uniderp, doze deles apresentaram altas nos preços, dois tiveram quedas e um permaneceu estável. Subiram de preço: picanha (10,99%), paleta (9,79%), ponta de peito (7,45%), costela (6,97%), filé mignon (5,80%) vísceras de boi (4,84%), lagarto (4,63%), fígado (4,48%), contrafilé (3,48%), acém (3,42%), músculo (1,85%) e alcatra (0,22%). O cupim não teve reajuste; já o patinho e o coxão mole caíram -4,29% e -2,53%, respectivamente.

 

Em relação ao frango, os miúdos registraram alta de 2,31% e a versão congelada da ave aumentou 1,95%. Sobre a carne suína, o pernil subiu 1,77% e a costeleta aumentou 0,64%, já bisteca caiu -0,31% no preço.

 

Em novembro, o índice do grupo Transportes fechou em deflação: -0,44%. Tiveram aumentos de preços as passagens de ônibus interestadual (2,43%) e o automóvel novo (2,20%). Reduções de valores ocorreram com passagens de ônibus intermunicipal (-0,34%), gasolina (-1,13%) e pneu novo (-1,61%).

 

O grupo Educação apresentou queda de -0,07%, devido a diminuição de preços em produtos de papelaria (-0,70%).

 

Já o grupo Despesas Pessoais fechou com aumento de 0,20%, sendo as maiores elevações com: sabonete (4,21%), xampu (2,95%), papel higiênico (1,51%), entre outros. Quedas de preços ocorreram com produto para limpeza de pele (-2,27%), creme dental (-1,74%), protetor solar (-1,43%), entre outros.

 

O grupo Saúde registrou queda -0,02%, sendo que as principais altas aconteceram com: antialérgico e broncodilatador (0,93%) e vitamina e fortificante (0,20%). Quedas de preços ocorreram com material para curativo (-1,33%) e anti-inflamatório e antirreumático (-0,41%).

 

Último grupo pesquisado, Vestuário registrou elevação de 1,51%. Entre os principais aumentos, destaque para camiseta masculina (5,70%), saia (4,92%) e vestido (3,23%). Quedas de preços ocorreram com sapato feminino (-3,78%) e short e bermuda masculina (-3,20%).

 

IPC/CG

O Índice de Preços ao Consumidor de Campo Grande (IPC/CG) é um indicador da evolução do custo de vida das famílias dentro do padrão de vida e do comportamento racional de consumo. O IPC busca medir o nível de variação dos preços mensais do consumo de bens e serviços, a partir da comparação da situação de consumo do mês atual em relação ao mês anterior, de famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos. A Uniderp divulga mensalmente o IPC/CG.

 

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